Evolução Histórica

Fontes Pereira de Melo, António Maria

08/Set/1818 – 22/Jan/1887

António Maria Fontes Pereira de Melo, o estadista Português que mais se evidenciou no oitavo e nono decénios do século XIX, principal promotor da política dos «melhoramentos materiais», nasceu em Lisboa, a 8 de Setembro de 1819, e morreu na mesma cidade, a 22 de Janeiro de 1887. Filho do Conselheiro João Fontes Pereira de Melo, iniciou a sua carreira de homem público em 1851. Era ainda muito novo, dotado de poderosa força de vontade, ambicioso, sentindo que nascera para mandar e que da sua superioridade lhe adviria a glória, honesto, irradiando natural atracção, insinuante nas maneiras e na figura, um pouco mais alto que o vulgar entre nós, delgado, sadio, activo. Consegue pagar pontualmente os funcionários, e fazer subir os rendimentos das alfândegas.

Pretende organizar a Fazenda e para ele a organização desta está principalmente na construção de estradas, de caminhos de ferro, no desenvolvimento do comércio e da indústria. Procura seguir o exemplo das outras nações proporcionando os meios para estabelecer vias férreas - uma que ligue Portugal com o país vizinho pondo-nos assim em contacto com o resto da Europa, e outra que estreite os vínculos de parentesco no país. Também se daria emprego a muita gente na realização de obras públicas com dinheiro que se pedisse de empréstimo no estrangeiro. Nesse sentido empreende Fontes uma viagem a Londres, mas como encontra aí grandes dificuldades, segue para Paris, onde consegue obter um importante empréstimo.

Cria o Ministério das Obras Públicas que ele próprio vai gerir e aí dá impulso à construção de estradas e introduz enfim os caminhos de ferro, contratando, com uma Companhia, a construção das linhas do Norte e do Leste. Anunciava-se a introdução do caminho de ferro em Portugal e já nos jornais da época se abriam as lamentáveis demonstrações de inocência, de má fé e incompreensão das gentes. Num dizia-se que quem nele «não viajasse à janela dos compartimentos morreria abafado e quem viajasse mais de meia hora ficaria em estado de sonambulismo». Nas páginas de outro periódico acentuava-se que o caminho de ferro iria permitir que os espanhóis nos invadissem a seu bel-prazer, dando um passeio até Lisboa». No entanto era o tempo em que de Lisboa a Elvas se demorava três dias, ao Porto cinco, ao Algarve oito, a Bragança duas semanas.

Fontes instituiu o Conselho de Obras Públicas e cria o estudo da indústria e da agricultura, fundando o Instituto Industrial e as quintas regionais. Nessa altura, mais de 1000 operários passam a receber a instrução de que carecem, nas escolas industriais que de novo se instituem.

No que respeita às colónias, faz reviver o Conselho Ultramarino.

Em breve tinha Fontes Pereira de Melo gasto 400 contos em obras públicas, tendo aberto 460 Km de estradas, havendo construído 17 pontes e assegurado, por meio de subsídios, a navegação a vapor no Tejo e no Sado, e entre Lisboa e os Açores. Além disso contratara a construção do caminho de ferro internacional e introduzia no país a telegrafia eléctrica.

No prosseguimento da sua política de «melhoramentos materiais», há a assinalar a construção e exploração do caminho de ferro do Barreiro a Mexolheira, a construção da linha do Porto à fronteira da Galiza, a aprovação do contrato de navegação para o Algarve e da construção de um cais, docas e do caminho de ferro marginal do Tejo, a autorização da construção da linha férrea de Lourenço Marques e a aprovação do contrato de navegação a vapor para as ilhas (1876).

Mais tarde abre concurso para a construção dos caminhos de ferro da Beira-Baixa e de Mirandela, para a navegação a vapor no Sado entre Setúbal e Alcácer, estabelece contrato provisório para a construção de uma doca de abrigo na enseada do Funchal e aprova o contrato definitivo para a construção de caminho de ferro de Viseu.

A 15 de Dezembro de 1960 foi criada na cidade do Porto, pelo Decreto-Lei n.º 43 410 a Escola Industrial Conde Ferreira que nunca chegou a funcionar. Esta escola passou a denominar-se Escola Industrial Fontes Pereira de Melo, conforme consta da Portaria 23 551, de 21 de Agosto de 1968.

A Escola nasceu a 4 de Novembro de 1968, nas instalações provisórias anteriormente ocupadas pelo Instituto Industrial, na Rua do Breiner, n.º 164, em regime diurno e nocturno, e apresentava os seguintes cursos: Curso de Formação de Montador Radiotécnico; Curso de Formação de Electromecânico; Curso de Formação de Carpinteiro de Moldes; Curso de Aperfeiçoamento de Montador Radiotécnico; Curso de Aperfeiçoamento de Electromecânico; Curso de Aperfeiçoamento de Carpinteiro de Moldes.

Devido à falta de espaço para a instalação dos laboratórios, o Curso de Aperfeiçoamento de Montador Radiotécnico funcionou na Escola Soares dos Reis, até ao ano lectivo de 1975/76. A construção de alguns pavilhões pré-fabricados, em terreno anexo á Escola, permitiu o funcionamento destes cursos nas instalações provisórias da Rua do Breiner.

A Escola debateu-se, ainda, com a inexistência de cantina e instalações desportivas condignas.

Atendendo à situação precária das instalações, o então Ministério da Educação Nacional anunciou em 1969 a construção da nova Escola Industrial Fontes Pereira de Melo em terrenos limítrofes ao Bairro do Cerco do Porto. Tratar-se-ia de uma escola moderna, implantada numa área de 3 500 m2, com uma área coberta de 1 800 m2.Teria uma capacidade para 3 000 alunos e nela seriam ministrados os Cursos de Formação de Carpinteiro de Moldes, Fundidor, Serralheiro, Montador Electricista, Montador Radiotécnico, bem como os cursos de Especialização de Desenhador Industrial, Fresador, Torneiro e Mecânico de Automóveis, e ainda a Secção Preparatória para Admissão ao Instituto Industrial. Por vicissitudes várias, este projecto nunca chegou a concretizar-se.

Em 1984, a criação dos Cursos Técnico-Profissionais, com as exigências próprias do seu funcionamento veio a acentuar ainda mais a precariedade das instalações. A mudança tornou-se inevitável. Em 1987, finalmente, é inaugurada a nova Escola junto ao Estádio do Bessa, onde já funciona o Ensino Unificado. No ano lectivo seguinte a Escola começou a funcionar na totalidade no novo espaço, com os cursos Técnico-Profissionais da área B: Electrónica, Mecânica e, mais tarde, Informática, além de cursos via de ensino da mesma área.

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